
Todos os dias, este bairro se atravessa à minha frente nas viagens casa-trabalho e vice-versa.
Os Olivais impressionavam-me por terem edifícios grandes e cinzentos, feios mesmo, mas num enquadramento estranho pois deve ser o bairro lisboeta com maior área verde que funciona como logradouro colectivo. Com a alteração das minhas viagens utilitárias a levarem-me ali todos os dias comecei a tentar perceber porque é que, sendo os edifícios pouco atraentes, eu gosto de olhar para eles.

Depois da 2ª guerra mundial as capitais da europa estavam carentes de habitação. Em 1955 foi apresentado o estudo base para os Olivais que partia de uma série de referências inovadoras de Corbusier ou Abercromble que foram aplicadas em Londres e Estocolmo e cujos princípios ficaram expostos na Carta de Atenas. O estudo sofreu adaptações até que em 1960 começam a ficar prontas habitações nos Olivais Norte e é aprovado o plano de Olivais Sul. Talvez sejam os princípios da Carta de Atenas que fazem dos Olivais um local fascinante, aqui transcrevo alguns:

- Os bairros de habitação devem ocupar no espaço urbano as melhores localizações, tirando partido da topografia, dispondo da exposição solar mais favorável e de superfície verde adequada.
- Um número mínimo de duas horas por dia de insolação deve ser fixado por cada habitação.
- O alinhamento de habitações ao longo de vias de comunicação deve ser proibido.
- As construções elevadas erguidas a grande distancia umas das outras devem libertar o solo em favor de amplas superfícies verdes.
- O bairro residencial deve compreender a superfície verde necessária à organização racional dos jogos das crianças, dos adolescentes e dos adultos.
- O peão deve poder seguir caminhos diferentes dos do automóvel.
- As zonas de vegetação devem isolar as vias de grande circulação.
Talvez por esta última regra, a Piscina dos Olivais passou-me despercebida durante meses em que passei diariamente na estrada ao lado. Li no Público que iam fechar esta piscina e decidi dar por lá um passeio.
1 comment:
oi, cresci vários centimetros nos olivais, perdi por ali vários neurónios. gosto muito das fotos e do texto. abraço, manel
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